segunda-feira, 16 de maio de 2011

O poema da Saudade


Em alguma outra vida, devemos ter feito algo muito grave, para sentirmos tanta saudade. Trancar o dedo numa porta dói. Bater o queixo no chão dói. Dói morder a língua, cólica dói, dói torcer o tornozelo. Dói bater a cabeça na quina da mesa, carie dói, pedra nos rins também dói. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma brincadeira de infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade de nós mesmo, o tempo não perdoa. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se Ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ele para o trabalho, mas sabiam-se onde. Você podia ficar sem vê-lo, e ele sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o Amor de um acaba,ou torna-se menor no outro. Sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.         

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